segunda-feira, 7 de junho de 2010

PRIMEIROS SOCORROS EM TRAUMAS

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação
E-BOOK DE
PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
Aluno:
EaD - Educação a Distância Portal Educação Cópia não controlada - AN03FREV001
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E-BOOK DE
PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
MÓDULO ÚNICO
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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SUMÁRIO
1 PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
2 CINEMÁTICA DO TRAUMA
2.1 ENERGIA E LEIS FÍSICAS
3 TRAUMA FECHADO
3.1 COLISÕES DE VEÍCULOS AUTOMOTORES
3.2 COLISÕES DE MOTOCICLETAS
4 EXAME PRIMÁRIO
4.1 QUEDAS
4.2 TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO – TCE
4.2 FRATURA DE COLUNA
4.3 TRAUMA DE TÓRAX
5 AVALIAÇÃO INICIAL DAS LESÕES TRAUMÁTICAS TORÁCICAS
5.1 FRATURAS NO TÓRAX
5.2 PNEUMOTÓRAX (PTX)
5.3 LESÃO DE GRANDES VASOS
5.4 LACERAÇÃO TRAQUEOBRÔNQUICA
6 TRAUMA ABDOMINAL
7 FRATURAS
7.1 FRATURA FECHADA
8 ENTORSE
9 LUXAÇÃO
10 CONTUSÃO
11 AMPUTAÇÕES
12 QUEIMADURAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Cópia não controlada - AN03FREV001
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MÓDULO ÚNICO
1 PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
O atendimento ao paciente de trauma é como uma ciência. Não somos escolhidos por nossos pacientes, mas nós escolhemos tratar de pacientes vítimas de trauma. Em situações adversas, em horários impróprios, em datas festivas, deixamos nossas famílias para assistir à sociedade e oferecer a esses pacientes a oportunidade de anos de vida produtiva. Para tanto, profissionais ligados ao atendimento de vítimas de trauma, estaremos sempre renovando nosso conhecimento. Estaremos ligados a todos e quaisquer avanços que beneficiarem nossos pacientes.
Segundo Aurélio (2000) apresenta a seguinte definição de trauma: V. Traumatismo 1. Lesão de extensão, intensidade e gravidade variáveis, que pode ser produzida por agentes diversos (físicos, químicos, psíquicos, etc.) e de forma intencional ou acidental. 2. Choque violento que pode desencadear perturbações várias.
Sendo assim, o socorrista deve estabelecer as seguintes prioridades:
1)
Abordagem da cena – verificar antes mesmo do socorro às vítimas toda a cena, o contexto e situação que se encontram os pacientes. A segurança das ações é de extrema importância, uma vez que os socorristas não devem se acidentar;
2)
Triagem de gravidade – posteriormente, o socorrista deve rapidamente ater-se a uma rápida triagem dos casos a serem atendidos e priorizar os que apresentam risco de morte; após, risco de perda de membros, e as demais vitimas na sequência;
3)
Reconhecimento de catástrofe – destinar os benefícios para o salvamento do maior número de vitimas, e não das vitimas de maior gravidade como no item definido anteriormente.
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FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
2 CINEMÁTICA DO TRAUMA
Os profissionais responsáveis pelo atendimento ao politraumatizado devem ter dois tipos de lesões em mente. Existem aquelas facilmente identificáveis no exame físico, permitindo tratamento precoce. E também aquelas ditas potenciais, ou seja, não são óbvias ao exame, mas podem estar presentes pelo mecanismo de trauma sofrido pelo paciente. Dependendo do grau de suspeita destas lesões pela equipe, danos menos aparentes podem passar despercebidos, sendo tratadas tardiamente.
Sendo assim, ressalta-se a importância de se conhecer a história do acidente. Quando bem acurada e interpretada pela equipe, tem-se a suspeita de mais de 90% das lesões antes de ter contato direto com o paciente.
A história no trauma divide-se em três fases:
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Pré-impacto: são os eventos que precedem o acidente, tais como ingestão de álcool e/ou drogas, condições de saúde do paciente (doenças preexistentes), idade, etc. Estes dados terão influência significativa no resultado final.

Impacto: deve constar o tipo de evento traumático (ex.: colisão automobilística, atropelamento, queda, ferimento penetrante, etc.). Deve-se também estimar a quantidade de energia trocada (ex.: velocidade do veículo, altura da queda, calibre da arma, etc.).

Pós-impacto: ela se inicia após o paciente ter absorvido a energia do impacto. As informações coletadas nas fases de pré-impacto e impacto são utilizadas para conduzir as ações pré-hospitalares na fase de pós-impacto. A ameaça à vida pode ser rápida ou lenta, dependendo, em parte, das ações tomadas nesta fase pela equipe de resgate.
As informações colhidas pelas equipes a respeito dos danos externos e internos do veículo constituem-se em pistas para as lesões sofridas pelos seus ocupantes. Com isto, a identificação das lesões ocultas ou de diagnóstico mais difícil são facilitadas, permitindo tratamento mais precoce reduzindo-se a morbimortalidade dos pacientes. Algumas observações são muito comuns, tais como: deformidades do volante de direção, sugerindo trauma torácico; quebra com abaulamento circular do para-brisa indicando o impacto da cabeça, o que sugere lesão cervical e craniana; deformidades baixas do painel de instrumentos sugerindo luxação do joelho, quadril ou fratura de fêmur.
2.1 ENERGIA E LEIS FÍSICAS
Um corpo em movimento ou em repouso tende a ficar neste estado até que uma energia externa atue sobre ele (1ª Lei de Newton). A energia nunca é criada ou destruída, mas sim, pode mudar de forma. As formas mais comuns são mecânica, térmica, elétrica e química.
A velocidade é mais importante fator gerador de energia cinética do que a
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massa, ou seja, a energia trocada em uma colisão em alta velocidade é muito maior do que uma em baixa velocidade. Já a diferença da massa dos ocupantes do veículo pouco interfere na energia de colisão.
Fator importante a se considerar numa colisão é a distância de parada. Antes da colisão, o veículo e o ocupante viajam numa mesma velocidade. Quando do impacto, ambos sofrem uma brusca desaceleração até pararem. Assim, aumentos da distância de parada diminuem a força de desaceleração sobre o veículo e seus ocupantes. A compressibilidade do material exerce influência na distância de parada e, consequentemente, na força de desaceleração. Ao ocorrer a compressão do material, há um aumento na distância de parada, absorvendo parte da energia, impedindo que o corpo absorva toda a energia, diminuindo as lesões no mesmo.
Cavitação é o deslocamento violento dos tecidos do corpo humano para longe do local do impacto, devido à transmissão de energia. Este rápido movimento de fuga dos tecidos a partir da região do impacto leva a uma lesão por compressão tecidual e também à distância, pela expansão da cavidade e estiramento dos tecidos. Tal fenômeno gera cavidades temporárias no momento do impacto, aquelas que retornam a sua posição prévia após o impacto, e as cavidades permanentes, aquelas que permanecem após o trauma. A diferença é a elasticidade dos tecidos envolvidos.
Permutas de energia - depende de alguns fatores como:

Densidade: quanto maior a densidade do tecido, maior será o número de partículas que se chocará com o objeto em movimento, levando uma maior permuta de energia entre eles.

Área de superfície: similarmente o que ocorre com a densidade, quanto maior a área de contato entre os tecidos e o objeto em movimento, maior será o número de partículas envolvidas e, consequentemente, maior a permuta de energia.
3 TRAUMA FECHADO
As forças físicas, cavitação e permuta de energia são similares nos traumas
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penetrantes e fechados. Mas quando a energia é concentrada em uma pequena área, ela pode exceder a tensão superficial do tecido e penetrá-lo. Em ambos os tipos de trauma, ocorre cavitação temporária, mas somente no penetrante existe a formação da cavitação permanente.
No trauma fechado, duas forças estão envolvidas no impacto: mudança brusca de velocidade (aceleração ou desaceleração) e compressão. Elas podem ser resultantes de quedas, colisões automobilísticas, acidentes com pedestres, agressões, etc.
3.1 COLISÕES DE VEÍCULOS AUTOMOTORES
Quando um veículo se choca contra um obstáculo fixo, ocorrem duas colisões. A primeira entre a vítima e o veículo e a segunda entre os órgãos da vítima e a estrutura de seu corpo.
As colisões automobilísticas podem ser de seis tipos:

Impacto frontal;

Impacto traseiro;

Impacto lateral;

Impacto angular;

Capotamento;

Ejeção.
Impacto frontal: corresponde à colisão contra um obstáculo que se encontra à frente do veículo. Se o ocupante não estiver utilizando mecanismos contensores (ex.: cinto de segurança), ele irá se chocar contra alguma parte do veículo ou ser ejetado para fora do veículo.
O impacto da vítima com a cabine do veículo ocorre em dois tempos: a vítima escorrega para baixo de tal forma que suas extremidades inferiores (joelho e pés) sejam o primeiro ponto de impacto. Nestas condições, as lesões mais comuns são: fratura, luxação do tornozelo, luxação do joelho, fratura de fêmur e luxação posterior do acetábulo. Após a trajetória, a vítima é projetada para frente e seu
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tronco se choca contra o volante ou painel. Dessa forma, seu crânio se choca contra o para-brisa, levando a lesões do segmento cefálico e/ou coluna cervical. Ao mesmo tempo, o tórax e o abdome se chocam contra o volante ou painel.
Impacto lateral: se refere às colisões do lado do veículo capazes de imprimir ao ocupante uma aceleração que o afasta do ponto de impacto. Dele podem resultar lesões semelhantes às do impacto frontal, mas além destas, podem ocorrer lesões de compressão do tronco e de pelve do lado de colisão. Por exemplo, impactos do lado do motorista podem levar a fraturas de arcos costais esquerdo, lesão esplênica e lesões esqueléticas esquerdas (ex.: pelve). Na mesma situação, o passageiro terá mais lesões direitas (principalmente hepáticas).
Impacto traseiro: geralmente este impacto ocorre quando um veículo parado é atingido por trás por outro veículo. Nestas condições, o assento carrega o tronco dos ocupantes para a frente com grande aceleração, mas a cabeça não acompanha este movimento, ocorrendo uma hiperextensão do pescoço. Este movimento leva à lesões pelo mecanismo de chicote (whiplash). Este tipo de lesão é evitado com o uso correto do suporte de cabeça.
Impacto angular: neste tipo de impacto, ocorre um misto dos padrões estudados acima.
Capotamento: nestas situações, o ocupante se choca contra qualquer parte da cabine, causando deslocamentos violentos e múltiplos, o que leva à lesões mais graves.
Ejeção: a vítima nestes casos sofre lesões decorrentes da ejeção do veículo propriamente dito e do seu choque com o solo. A probabilidade de lesões aumenta em mais de 300% e há grandes chances de ocorrer lesões ocultas.
3.2 COLISÕES DE MOTOCICLETAS
Podem ocorrer lesões por compressão, aceleração/desaceleração e cisalhamento. Porém, menor será o risco de ocorrerem, quanto maior for o número de equipamentos de proteção utilizados no momento do impacto (ex.: capacete, botas, luvas, roupas, etc.).
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Nos pedestres as lesões ocorrem em três fases:

Impacto com o para-choque dianteiro: depende diretamente da altura do para-choque e da vítima. Geralmente, em adultos, as lesões costumam acometer regiões entre as pernas e a pelve. Em crianças, as lesões torácicas e abdominais são mais comuns;

Impacto com o capô e para-brisas: ocorrem lesões do tronco e cabeça.

Impacto com o solo: lesões de cabeça e coluna.
4 EXAME PRIMÁRIO
Em casos de politraumatizados graves a prioridade é a rápida identificação e o atendimento otimizado, potencializando as condições de vida dos pacientes envolvidos nesse tipo de incidente.
O grande número de envolvidos em acidentes, consequentemente, vítimas de traumas, não são os gravemente feridos. São aqueles com lesões de apenas um sistema. Por exemplo, uma fratura e pequenas escoriações.
Nesses pacientes é possível e completamente viável a realização do exame primário e até mesmo secundário, mesmo que durante o transporte até a unidade hospitalar. Já para o gravemente acometido, aos olhos do perspicaz profissional já identificado, deverá ser rapidamente atendido e de forma segura removido para unidade hospitalar de referência mais próxima.
Nesse primeiro contato para a avaliação, o enfermeiro deve olhar o paciente como um todo. Se com ferimentos aparentes, raciocinar de acordo com a fisiopatologia de cada sangramento ou hematoma evidente.
Exemplificando: em situação de acidente automobilístico, a vítima fora encontrada dentro do veículo, atada ao cinto de segurança consciente, orientada, com queixas álgicas em MSE. Suspeita-se de fratura e/ou entorse em MSE. Nesse caso, SE houver outras vítimas em piores estados, elas poderão ser atendidas anteriormente ao caso citado.
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4.1 QUEDAS
Vítimas de queda estão sujeitas a múltiplos impactos e lesões. Nestes casos, devem ser avaliados:
Altura da queda: quanto maior a altura, maior a chance de lesões, visto que a velocidade em que a vítima atinge o anteparo é proporcionalmente maior e, consequentemente, a desaceleração.
Compressibilidade da superfície do solo: quanto maior a compressibilidade, maior a capacidade de deformação, aumentando a distância de parada, diminuindo a desaceleração. Isto pode ser exemplificado quando se compara uma superfície de concreto e uma de espuma.
Parte do corpo que sofreu o primeiro impacto: este dado permite levantar a suspeita de algumas lesões. Quando ocorre o primeiro impacto nos pés, ocorre uma fratura bilateral dos calcâneos. Após, as pernas absorvem o impacto, levanto a fraturas de joelho, ossos longos e quadril. A seguir o corpo é flexionado, causando fraturas por compressão da coluna lombar e torácica. Já quando a vítima bate primeiramente as mãos resulta em fraturas bilaterais do rádio. Nos casos em que a cabeça recebe o primeiro impacto ocorre lesões de crânio e coluna cervical.
Explosões: esta ocorrência não é exclusiva dos tempos de guerra. Devido à violência civil, às atividades terroristas e ao transporte e armazenamento de materiais explosivos, as explosões ocorrem de modo rotineiro.
Elas resultam da transformação química, extremamente rápida, de volumes relativamente pequenos de materiais sólidos, semissólidos, líquidos ou gasosos que rapidamente procuram ocupar volumes maiores.
Tais produtos, em rápida expansão, assumem a forma de uma esfera, a qual possui no seu interior uma pressão muito mais alta que a atmosférica. Na sua periferia, se forma uma fina camada de ar comprimido que atua como uma onda de pressão que faz oscilar o meio em que se propaga.
A medida em que se afasta do local de detonação, a pressão rapidamente diminui. A fase positiva pode atingir várias atmosferas com duração extremamente curta. A fase negativa é de duração mais longa.
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4.2 TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO – TCE
Traumatismo cranioencefálico (TCE) é um problema de saúde pública na atualidade. Já se estima que cerca de quinhentas mil pessoas sofram de TCE por ano nos EUA, sendo que 20% das vítimas terão algumas incapacidades e deficiências (BRUNNER, 2006).
Segundo Arruda (2002), no Brasil, o aumento acidentes de trânsito se torna um grande problema à saúde; cem mil brasileiros morrem vítimas de trauma a cada ano e cerca de um milhão e quinhentos mil são feridos em acidentes.
O TCE é frequente no Brasil e em sua maioria são causados pelos acidentes de trânsito, mergulho em águas rasas, agressões, quedas e projéteis de arma de fogo.
De maneira geral, a gravidade está relacionada com a intensidade do trauma. Fator relacionado com o prognóstico das vítimas de TCE apontou que as alterações neuropsicológicas pós-traumáticas constituem um dos principais fatores que determinam no futuro o grau de independência funcional alcançado e retorno no trabalho, como também o estabelecimento de relações familiares e sociais satisfatórias (MUÑOZ, 2001).
Traumas de crânio podem não aparentar danos imediatos, mas tardiamente os sinais e sintomas já demonstram lesões graves, tornando a assistência e pós-atendimento prejudicados.
A avaliação primária deverá ser rápida e sistêmica com atenção especial a algumas alterações que podem indicar um grande trauma:

Ferimentos na cabeça;

Tontura, sonolência, inconsciência;

Hemorragia pelo nariz, boca ou ouvido;

Alterações no ritmo respiratório;

Hematoma nas pálpebras;

Vômitos e náuseas;

Perda de reflexos e controle de esfíncteres;
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Paralisia;

Anisocoria;
O socorro a esses pacientes deverá ser prestado por profissionais capacitados atentos a:

Proceder controle imobilização e controle cervical;

Não realizar movimentos bruscos com a cabeça do acidentado;

Não aplicar compressão direta; utilize um curativo volumoso;

Caso haja extravasamento de sangue ou líquidos pelo nariz ou ouvidos, facilite a drenagem;

Previna o estado de choque;

Ministre oxigênio.
O TCE é classificado da seguinte forma: leve, moderado e grave.
􀂾
TCE leve: corresponde a cerca de 80% dos pacientes com trauma craniano; realiza-se tomografia computadorizada (TC); os achados neste exame são frequentemente fraturas lineares com ou sem afundamento, calcificação, níveis hidroaéreos nos seios, pneumoencéfalo e fratura de face; a escala de Glasgow é de 12 a 15, segundo a revisão bibliográfica (NASI, 2005).
􀂾
TCE moderado: os pacientes com esse tipo de trauma são capazes de obedecer a ordens simples, mas estão confusos ou sonolentos e podem apresentar certo deficit neurológico focal como hemiparesia. Esses pacientes devem ser melhor observados, pois 10-20% evoluem para coma, portanto, devem ser tratados como potencial TCE graves. A primeira medida a ser tomada quando o paciente entra no hospital é garantir a estabilidade cardiopulmonar (BACCARINI et al, 2002).
􀂾
TCE grave: quando o cliente se encontra neste caso eles não são capazes de obedecer ordens mesmo após estabilização; o diagnóstico deve ser rápido para que esta vítima possa ter um tratamento mais qualificado, tendo assim um melhor prognóstico; a escala de Glasgow é de 3 a 8 ( NASI, 2005).
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FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
As complicações dependerão do impacto sofrido podendo ocorrer uma série de lesões posteriores, sendo tais como o aumento gradativo da PIC, hematomas, afundamentos, hemorragias subaracnoide, contusão, laceração, concussão.
4.2 FRATURA DE COLUNA
Sabidamente perigosas, principalmente se houver manipulação inadequada dos socorristas, para que tal fatalidade não ocorra, sua assistência será realizada observando os seguintes preceitos:

Associação do tipo de acidente com possíveis lesões;

Dificuldade para respirar;

Dor intensa no local;

Deformidade;

Perda de sensibilidade;
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Perda de controle urinário e fecal;

Priapismo.
Ações esperadas do socorrista:

Manter a coluna estável/imóvel;

Manter cabeça imobilizada levemente tracionada;

A imobilização deverá ser realizada com colar cervical, prancha rígida, e protetores laterais de cabeça;

Proceder o transporte até a unidade hospitalar mais próxima e capacitada e com recursos competentes para atender o paciente.
Atenção a todas às vitimas de grandes acidentes, desastres, catástrofes, quedas, atropelamento, desabamento – inconscientes; atenda como se todas fossem vitimas de lesão medular, até que se prove o contrário.
4.3 TRAUMA DE TÓRAX
O trauma torácico tem como resultado a hipóxia tecidual, a hipercarbia e a acidose. A reduzida oferta de oxigênio tecidual, resultado de hipovolemia, por alteração da relação ventilação/perfusão pulmonar (contusão, hematoma, colapso alveolar, etc.), e por alterações nas relações pressóricas intratorácicas (pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, etc).
Pode ser classificado em:
􀂾
Aberto: é, a grosso modo, o ferimento. Os mais comuns são os causados por arma branca (FAB) e os por arma de fogo (FAF) – agente causal.
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FONTE: Disponível em: Acesso em: 17 mar. 2010.
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Fechado: são as contusões. O tipo mais comum dessa categoria de trauma é representado pelos acidentes automobilísticos.
FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010. Cópia não controlada - AN03FREV001
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Agente causal:

FAF;

FAB;

Acidentes automobilísticos;

Outros.
Manifestação clínica:

Pneumotórax (hipertensivo ou não);

Hemotórax;

Tamponamento cardíaco;

Contusão pulmonar;

Lesão de grandes vasos (aorta, artéria pulmonar, veias cavas).
5 AVALIAÇÃO INICIAL DAS LESÕES TRAUMÁTICAS TORÁCICAS
Inicialmente orientado, segundo os critérios de prioridade, o atendimento do paciente deverá seguir a assistência comum aos vários tipos de traumas (ABCD do trauma, que tem por objetivo manter a ventilação e perfusão adequados, evitando, assim, as deficiências respiratórias e circulatórias, respectivamente, pelo mecanismo de parada cardíaca anóxica).
No caso em discussão, o trauma torácico leva com maior frequência à hipóxia tecidual. Este é resultado de um dos fatores abaixo, ou da associação destes:

Queda do volume sanguíneo circulante;

Distúrbio na ventilação pulmonar;

Contusão pulmonar;

Alterações do espaço pleural;
Assim, pondo o socorrista em alerta quanto à análise dos seguintes itens na avaliação do paciente vítima de trauma torácico: vias aéreas, respiração, circulação,
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toracotomia.
Vias aéreas - aqui deve-se certificar a permeabilidade das vias aéreas (a sensação tátil e ruidosa pelo nariz e boca do paciente nos orienta sobre ela e também sobre distúrbios na troca gasosa). A orofaringe sempre deve ser examinada à procura de obstrução por corpos estranhos, particularmente em pacientes com alterações da consciência.
Respiração - fazer uma rápida propedêutica do tórax, avaliando o padrão respiratório, por meio da amplitude dos movimentos torácicos, simetria da expansibilidade, fraturas no gradeado costal, enfisema de subcutâneo, etc. Nesta fase, também deve-se suspeitar, frente a sintomas característicos, de pneumotórax hipertensivo e tamponamento cardíaco, pois são lesões que se não identificadas e tratadas prontamente levam rapidamente ao óbito.
Circulação - para sua avaliação, faz-se a monitorização da pressão arterial do pulso (qualidade, frequência, regularidade, etc. Ex.: os pacientes hipovolêmicos podem apresentar ausência de pulsos radiais e pediosos), bem como de estase jugular e perfusão tecidual. Estes parâmetros são muito úteis para uma avaliação geral do sistema cardiocirculatório.
Toracotomia - para as lesões que, potencialmente, ponham em risco a vida do paciente, este poderá, eventualmente, ser um procedimento necessário. Os pacientes que chegam com perdas volêmicas maciças, com lesão penetrante em região precordial, sem pulso, porém, com atividade elétrica miocárdica, podem ser candidatos à toracotomia na sala de emergência. Presumindo-se a presença de um cirurgião, deverá ser realizada uma toracotomia anterior esquerda com clampeamento da aorta torácica descendente e pericardiotomia, e deve ser iniciada a massagem cardíaca aberta, paralelamente à reposição do volume intravascular.
No entanto, para pacientes com trauma contuso, nos quais não se evidencia atividade elétrica cardíaca, a toracotomia na sala de emergência raramente é efetiva. É importante se ressaltar que, muitas vezes em casos de hemorragia intratorácica ou pneumotórax, antes de um procedimento mais invasivo como a toracotomia, opta-se pela drenagem do tórax (85% dos casos); nesse caso, é realizada com um tubo plástico multifenestrado, no 6º ou 7º espaço intercostal, na linha axilar média, sob sistema de selo d'água.
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5.1 FRATURAS NO TÓRAX
São as lesões mais comuns do tórax e assumem fundamental importância, pois a dor causada por elas dificultam a respiração e levam ao acúmulo de secreção.
As lesões por trauma direto formam espículas que se direcionam para o interior do tórax, logo com maior potencialidade de lesar a cavidade pleural.
Nas lesões por compressão, as espículas se direcionam para fora, diminuindo a potencialidade de acometimento da cavidade pleural, porém, com maior chance de levar a um tórax instável e lesões de órgãos internos.
Podemos classificá-las em três tipos:
1) Fraturas de costelas - as costelas são as estruturas mais comumente lesadas da caixa torácica. A dor provoca restrição à ventilação e consequente acúmulo de secreção traqueobrônquica.
2) Afundamentos (fraturas múltiplas de costelas) - o afundamento do tórax se dá quando há fraturas de várias costelas em múltiplos pontos, levando ao chamado "tórax oscilante".
3) Fraturas do esterno - lesões raras, mas de alta mortalidade, devido à ocorrência de lesões associadas (contusão cardíaca, rotura traqueobrônquica, ferimentos musculares) que devem ser pesquisadas concomitantemente. A intensa dor e o aumento de volume locais, e a crepitação óssea aos movimentos respiratórios, nos orientam para esse diagnóstico.
5.2 PNEUMOTÓRAX (PTX)
Definido como o acúmulo de ar na cavidade pleural, restringindo o parênquima pulmonar e prejudicando a respiração. Podemos classificá-lo em: aberto/fechado ou simples/hipertensivo. Cópia não controlada - AN03FREV001
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􀂾
Aberto: caracterizado pelo contato do espaço pleural com o meio ambiente (solução de continuidade entre a cavidade e o meio externo), levando a uma equivalência entre as pressões atmosférica e intratorácica, o que ocasionará, em última instância, o colapso pulmonar, queda da hematose e uma hipóxia aguda. Se o diâmetro dessa abertura for de, aproximadamente, 2/3 do diâmetro da traqueia ou superior a esse valor, o ar entrará, preferencialmente, por esse orifício (de menor resistência), proporcionando uma maior gravidade. O tratamento baseia-se no tamponamento imediato da lesão por meio de curativo quadrangular feito com gazes esterilizadas (vaselinada ou outro curativo pouco permeável ao ar) de tamanho suficiente para encobrir todas as bordas do ferimento, e fixado com fita adesiva (esparadrapo, etc.) em três de seus lados. A fixação do curativo oclusivo em apenas três lados produz um efeito de válvula; desse modo, na expiração, tem-se a saída de ar que é impedido de retornar na inspiração, evitando, assim, formar um pneumotórax hipertensivo. O dreno de tórax deve ser colocado longe do ferimento, tão logo seja possível. Qualquer curativo oclusivo (gaze, plástico, etc.) pode ser usado temporariamente para permitir que se prossiga na avaliação rápida. Geralmente, o ferimento necessita ser fechado definitivamente por procedimento cirúrgico.
􀂾
Simples: o PTX simples origina-se, principalmente, no trauma penetrante e na contusão torácica. O diagnóstico é dado pela hipersonoridade à percussão e diminuição ou ausência de murmúrio vesicular e complementado pelo Rx de tórax, onde há uma maior radiotransparência do pulmão acometido, devido ao acúmulo de ar no local que era para ser ocupado pelo parênquima pulmonar.
􀂾
Hipertensivo: o PTX hipertensivo é uma lesão grave que põe em risco imediato a vida do paciente e por isso deve ser tratado com extrema urgência. Ocorre quando há um vazamento de ar para o espaço pleural por um sistema de "válvula unidirecional" (geralmente por fratura do arco costal). O sistema de válvula faz com que o ar entre para a cavidade torácica sem a possibilidade de sair, colapsando completamente o pulmão do lado afetado. O diagnóstico é caracterizado por dispneia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia, ausência de murmúrio vesicular unilateral, distensão das veias do pescoço (estase jugular),
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hipersonoridade, desvio do ictus e cianose como uma manifestação tardia. Pela semelhança dos sintomas, o PTX hipertensivo pode, inicialmente, ser confundido com tamponamento cardíaco. O PTX hipertensivo exige a descompressão imediata e é tratado inicialmente pela rápida inserção de uma agulha no 2º ou 3º E.I.C. na linha hemiclavicular do hemitórax afetado. Esta manobra converte a lesão em um PTX simples. É necessário proceder a uma reavaliação repetida. O tratamento definitivo geralmente consiste apenas na inserção de um dreno de tórax no 5º espaço intercostal (linha do mamilo), anterior à linha axilar média.
􀂾
Hemotórax (HTX) - definido como o rápido acúmulo de mais de 1.500 ml. de sangue na cavidade torácica (ATLS). Ocasionado mais frequentemente por: lesão da artéria intercostal, laceração do parênquima pulmonar (que geralmente é periférica), lesões em vasos da base, e lesão cardíaca. O hemotórax é assintomático até que dê choque hipovolêmico. Seu diagnóstico pode ser dado pela diminuição da expansibilidade torácica, dispneia, diminuição ou ausência de murmúrio vesicular e pela macicez ou submacicez de base pulmonar à percussão.
􀂾
Quilotórax - é o acúmulo de líquido linfático na cavidade pleural. Sua etiologia geralmente é devido a um ferimento transfixante do tórax que acomete o ducto torácico.
5.3 LESÃO DE GRANDES VASOS
A desaceleração brusca pode levar à ruptura total ou parcial da aorta, pela aplicação de uma força de cisalhamento em seus pontos de fixação. Além deste mecanismo, outro que comumente acomete os grandes vasos são os penetrantes, principalmente os que incidem em terço superior do tórax. Somente 20% dos pacientes com lesão aórtica chegam vivos ao hospital e correspondem àqueles que mantiveram a integridade da íntima arterial.
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5.4 LACERAÇÃO TRAQUEOBRÔNQUICA
As principais etiologias que levam a esse tipo de lesão são a desaceleração horizontal, ferimento transfixante do mediastino médio e superior, e compressão torácica intensa e fugaz.
6 TRAUMA ABDOMINAL
O índice de suspeita para lesão abdominal deve ser baseado no mecanismo de trauma e nos achados de exame físico, tal como equimoses ou outros sinais de batida. Deve-se suspeitar de sangramento intra-abdominal quando o paciente apresentar escoriações externas ou distensão. Apesar de estes sinais e sintomas serem sugestivos de sangramentos intra-abdominais, com frequência estão ausentes em pacientes com hemorragia considerável. O socorrista deve estar alerta para sinais mais sutis, como, por exemplo, ansiedade, agitação e dispneia.
Alguns indícios da lesão abdominal vão estar presentes na cena do acidente:

Mecanismo de lesão ou estrago no carro (volante torto);

Sinais externos de trauma;

Choque de causa não explicada;

Choque mais grave do que o explicado por outras lesões;

Presença de rigidez abdominal, defesa ou distensão (raramente encontrada).
A avaliação da vitima deve incluir a inspeção, a palpação; a ausculta não se faz necessária nem relevante numa avaliação pré-hospitalar.
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Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
Em traumas abdominais, o tratamento cirúrgico se faz necessário em grande parte dos casos. Quando a vítima possui objetos empalados, os mesmos não devem ser removidos, uma vez que a ponta distal pode estar tamponando um sangramento.
Sua retirada só será realizada apos avaliação radiológica em intra-hospitalar durante procedimento cirúrgico. Faz-se desnecessária também a palpação, considerando o não conhecimento da extensão da lesão e possíveis lacerações.
FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
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25
É possível também que ocorra evisceração, quando um seguimento do intestino ou outro órgão abdominal passa através de uma ferida, exteriorizando-se pela parede abdominal.
Numa situação de evisceração, não se deve reposicionar os órgãos na cavidade. Para proteção desses órgãos deve-se mantê-los hidratados com solução fisiológica estéril.
Para tal, pode ser realizado a cobertura com gazes estéreis umidecidas em solução fisiológica e ocluir com um curativo externo seco, trabalhando para a estabilização da temperatura do paciente.
FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
7 FRATURAS
A fratura define-se pela lesão/quebra de um osso, causada por uma pancada, queda, força aplicada muito forte. As fraturas são mais comuns nos membros, podendo ser únicas ou múltiplas. Na primeira infância, é frequente a fratura da clavícula.
Trabalhamos com as fraturas divididas em dois tipos: as fechadas, que
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26
apesar do choque, deixam a pele intacta, e as expostas, quando o osso fere e transfixiona a pele. As fraturas expostas exigem cuidados especiais. Portanto, a cobertura do local com um pano limpo ou gaze e encaminhamento para serviço hospitalar especializado.
FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
7.1 FRATURA FECHADA
Sinais indicadores:

Dor ou grande sensibilidade em um osso ou articulação;

Incapacidade de movimentar a parte afetada, além do adormecimento ou formigamento da região;

Inchaço e pele arroxeada, acompanhado de uma deformação aparente do membro machucado.
Assistência:

Atente para perfusão do membro atingido;

Mantenha a vítima aquecida;

Imobilize o osso, ou articulação, atingido com uma tala;

Mantenha o local afetado em nível mais elevado que o resto do corpo e
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27
aplique compressas de gelo ou resfriadas para diminuir o inchaço, a dor e a progressão do hematoma.
8 ENTORSE
É a torção de uma articulação, com lesão dos ligamentos (estrutura que sustenta as articulações). Os cuidados são semelhantes aos da fratura fechada.
9 LUXAÇÃO
É o deslocamento de um ou mais ossos para fora da sua posição normal na articulação. Os primeiros socorros são também semelhantes aos da fratura fechada. Lembre-se de que não se deve fazer massagens na região, nem tentar recolocar o osso no lugar.
10 CONTUSÃO
É uma área afetada por uma pancada ou queda sem ferimento externo. Pode apresentar sinais semelhantes aos da fratura fechada. Se o local estiver arroxeado, é sinal de que houve hemorragia sob a pele (hematoma).
11 AMPUTAÇÕES
Lesão provocada por acidente de trabalho com serra circular Cópia não controlada - AN03FREV001
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FONTE: Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
O trauma está entre as causas mais comuns de amputação dos membros inferiores e superiores. A preocupação inicial do socorrista deverá ser sempre com a vida da vítima, e depois com as necessidades cirúrgicas do mesmo.
No contexto, o mais importante é a pessoa e não o membro amputado, e nessa linha torna-se imprescindível uma abordagem global do paciente, de forma a assegurar o máximo de suas potencialidades físicas e psicológicas.
De qualquer forma, deve ficar claro que os procedimentos para amputação de membros inferiores ou superiores buscam a restauração de um órgão enfermo e não uma mutilação.
Nessa conjuntura, é fundamental um trabalho integrado dos diversos tipos de profissionais envolvidos na reabilitação do paciente para estimular e valorizar a capacidade residual da pessoa atingida e assim buscar uma recuperação total. No diagnóstico médico a amputação é considerada como um diagnóstico secundário, pois a enfermidade ou trauma recebe o rótulo de diagnóstico primário.
Cópia não controlada - AN03FREV001
29
E, posteriormente, se surgirem complicações, quanto mais cedo forem identificadas as causas, mais rápido poderá ser o controle e cura; o que possibilitará um melhor desempenho do paciente na fase da reabilitação.
Já as causas traumáticas atingem também um número expressivo da população por acidentes de trânsito, de trabalho ou, em número menor, em razão de outra etiologia.
Dentre os citados, os acidentes de trabalho tendem a culminar em amputações dos membros superiores (dedos, mão e braço).
12 QUEIMADURAS
Como maior órgão do corpo humano, a pele é composta por três camadas; são elas:
􀂾
Epiderme;
􀂾
Derme;
􀂾
Tecido subcutâneo.
Exerce a importante função de formar uma barreira protetora contra o ambiente externo. Previne infecções, a perda de fluídos corporais, auxilia na regulação corpórea, é repleta de terminações nervosas.
Assim, quando uma lesão térmica acontece, uma ou muitas dessas estruturas e/ou funções citadas são lesadas e tem sua atividade comprometida.
As queimaduras podem acontecer por contato com:

Chama, brasa ou fogo;

Vapores quentes;

Líquidos ferventes;

Sólidos super aquecidos ou incandescentes;

Substâncias químicas;

Emanações radioativas;

Radiações infravermelhas e ultravioletas;

Eletricidade;
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Frio;

Outros.
As prioridades no cuidado às vitimas de queimaduras seguem os mesmos princípios e prioridades que para qualquer vítima de trauma:
1)
Pare o processo de queimadura (térmica ou química);
2)
Realize o exame primário para avaliação e tratamento;
3)
Providencie os cuidados específicos para lesões isoladas.
Ainda entre os pacientes vítimas de queimaduras, existem os que sofrem lesões pulmonares por inalarem subprodutos tóxicos da combustão. Deve-se considerar que houve a inalação se reclusa em local fechado com presença de fumaça, atentando para cuidados respiratórios além dos visíveis.
A probabilidade da presença de monóxido de carbono em níveis alarmantes para desencadear problemas sistêmicos e pulmonares requer atenção especial.
Quanto à avaliação das queimaduras, sete fatores devem ser observados para que entre os pacientes queimados se determine quais são os mais críticos:
1)
Profundidade da queimadura;
2)
Área da superfície corpórea envolvida;
3)
Idade do paciente;
4)
Lesões pulmonares:
a)
Inalação de fumaça;
b)
Inalação de subprodutos tóxicos.
5)
Lesões associadas:
a)
Queimaduras de vias aéreas.
6)
Situações especiais:
a)
Queimaduras químicas;
b)
Queimaduras elétricas;
c)
Intoxicação por monóxido de carbono.
7)
Doença preexistente.
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31
Quanto à profundidade, a primeira avaliação será visual. Esta será apenas uma estimativa já que a extensão e a profundidade real da lesão podem não ser aparentes por vários dias.
Queimaduras de primeiro grau, superficiais:

Lesão apenas da epiderme;

Vermelhidão, inflamação e dor na pele.
Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2010.
Queimaduras de segundo grau, espessura superficial:

Lesão tanto da epiderme quanto da derme;

Pele com áreas avermelhadas, bolhas íntegras ou rotas mostrando uma ferida secretante;

Queixas de muita dor;

Perdas significativas de líquidos, que podem ocorrer levando ao choque.
FONTE: Disponível em: Acesso em: 17 mar. 2010. Cópia não controlada - AN03FREV001
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No atendimento pré-hospitalar, o paciente deverá ser envolvido em lençol limpo e seco, ou até mesmo estéril. Tecidos que soltem fragmentos ou partículas no ferimento e quaisquer pomadas ou soluções não devem ser utilizadas.
Toda a extensão queimada deve ser coberta com compressas secas. O socorrista não deve romper bolhas, pois elas são um mecanismo de proteção. O desbridamento não deve ser realizado na cena do incidente.
Anéis, joias, relógios, etc., devem ser retirados uma vez que os metais retêm calor e os membros acometidos com a movimentação dos fluidos corpóreos irão edemaciar.
Cópia não controlada - AN03FREV001
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACCARINI, S. E. Manual de urgências em pronto-socorro. 7. ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2002.
DIEPENBROCK, H. N. Cuidados intensivos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
FERREIRA, A. B. H. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
LINDA, J. S. Segredos em enfermagem de emergência. Porto Alegre: Artmed, 2003.
MANTOVANI, M. Suporte básico e avançado de vida no trauma. São Paulo: Atheneu, 2005.
MOORE, E. E. Manual do trauma. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
MOZACHI, N. O Hospital: manual do ambiente hospitalar. 1. ed. Curitiba: Os
autores, 2005.
NASI, A. N. Rotinas em pronto-socorro. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
OMAN, S. K. Segredos em enfermagem de emergência. Porto Alegre: Artmed, 2003.
OLIVEIRA, M. F. B. Trauma atendimento pré-hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2004.
PARSONS, E. P. Segredos em terapia intensiva. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
PERRY, P. Fundamentos de enfermagem, conceitos, processos e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1999.
Cópia não controlada - AN03FREV001
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Cópia não controlada - AN03FREV001
36
ROSALES. S. Manual de primeiros socorros e prevenção de grandes catástrofes e terremotos. Cotia-SP: Vergara Brasil, 2005.
VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
NAEMT. PHTLS. Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
ATENDIMENTO em emergência. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2010.
ESTUDMED.COM. Trauma de tórax (4ª parte). Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2010.
SAFETY & Security. Fraturas. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2010.
FIM DO CURSO

PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RESIDUOS SOLIDOS

odo gerador deve elaborar e implantar o Plano de Gerenciamento de
Resíduos de Serviços de Saúde - PGRSS, conforme estipulam a RDC
ANVISA no 306/04 e a Resolução CONAMA no 358/05 (PARA SABER
MAIS, ver o capítulo 2 e os anexos).
Tome nota: O que é o PGRSS
É o documento que aponta e descreve as ações relativas ao
manejo dos resíduos sólidos, observadas suas características e
riscos, no âmbito dos estabelecimentos, contemplando os aspectos
referentes à geração, segregação, acondicionamento, coleta,
armazenamento, transporte, tratamento e disposição final, bem como as ações de proteção à
saúde pública e ao meio ambiente.
O PGRSS deve obedecer a critérios técnicos, legislações sanitárias e
ambientais, normas locais de coleta e transporte dos serviços de limpeza
urbana, especialmente os relativos aos resíduos gerados nos serviços de saúde
(PARA SABER MAIS, ver anexo 1).
O estabelecimento deve manter cópia do PGRSS disponível para consulta,
sob solicitação da autoridade sanitária ou ambiental competente, dos
funcionários, dos pacientes e clientes e do público em geral. Os órgãos de
saúde e de meio ambiente poderão, a seu critério, exigir avaliação do PGRSS
antes de sua implantação.
As etapas de implantação
O PGRSS não é só um registro de intenções, mas, vai além, pois aborda as
condições de implementação e acompanhamento, o que exige diversas
providências. Por isso, descrevem-se, neste capítulo, quais são essas
providências, sob a forma de uma seqüência de tarefas, "passo-a-passo".
O "passo-a-passo" é, pois, a organização das etapas de trabalho de maneira
4PASSO A PASSO: COMO ELABORAR
E IMPLEMENTAR O PGRSS
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 65
T
hierárquica, por ordem de prioridade, necessárias para a elaboração e
implementação do PGRSS. Ele facilita a tomada de decisões e a consulta
de todos os interessados. A metodologia pode ser aplicada a qualquer
estabelecimento prestador de serviços de saúde, abrangendo todas as
tarefas necessárias para atender às legislações vigentes, de forma mais
eficiente e eficaz.
Tome nota: PGRSS dos estabelecimentos
de atenção individualizada
Os resíduos de serviços de saúde - RSS gerados por
estabelecimentos de atenção individualizada caracterizam-se
por uma dispersão territorial significativa, pequeno volume de
geração e inexistência de processos de gestão de RSS.
Nestes estabelecimentos, o PGRSS deve conter as informações necessárias ao correto
gerenciamento dos resíduos, apresentadas neste passo-a-passo, podendo, em função
do perfil de geração, ser elaborado de forma simplificada.
Ressalte-se que nenhuma situação é estática. Quando se faz o
diagnóstico, por exemplo, ele dá conta de uma situação específica, num
momento determinado (como um retrato). Por isso, o plano é avaliado
de modo cíclico, pois ele deve ser ajustado continuamente (por exemplo,
a cada ano), de acordo com os contextos sempre mutáveis.
Tome nota:
Nos estabelecimentos que tenham um ou mais serviços
terceirizados com alvarás sanitários individualizados, o
PGRSS deverá ser único e contemplar todos os serviços
existentes, sob responsabilidade técnica do estabelecimento
concessionário.
Os serviços novos submetidos a reformas ou ampliação devem encaminhar o PGRSS
juntamente com o projeto básico de arquitetura para a vigilância sanitária local,
quando da solicitação do alvará sanitário.
Os serviços que geram rejeitos radioativos devem contar com profissional
devidamente registrado pela CNEN nas áreas de atuação correspondentes,
conforme a norma NE 6.01 ou NE 3.03 da CNEN.
66 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Seqüência dos passos para elaboração do PGRSS
Passo 1 - Identificação do problema
Abrange o reconhecimento do problema e a sinalização positiva da
administração para início do processo.
O que fazer
􀁝 Definir, provisoriamente, um responsável pelas tarefas.
􀁝 Analisar os contextos local, estadual e nacional no qual deverá se inserir o
PGRSS, nos aspectos econômico, social, político, jurídico etc.
􀁝 Identificar as políticas nacionais em vigor no campo de
resíduos sólidos.
􀁝 Levantar o que já é realizado na
gestão de resíduos nos serviços
públicos, Ongs, grupos de
base, iniciativas locais.
􀁝 Estudar a documentação
existente: relatórios internos,
literatura sobre o assunto,
estatísticas oficiais, alvarás,
licenciamento, autos etc.
􀁝 Realizar uma avaliação preliminar
dos resíduos de serviços de saúde - RSS
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 67
gerados pelo estabelecimento e da gestão destes.
􀁝 Mapear as áreas do estabelecimento envolvidas com RSS.
􀁝 Elaborar uma estratégia de trabalho.
􀁝 Obter o respaldo da direção da instituição.
􀁝 Discutir com a direção todas as etapas de trabalho.
Resultado do passo 1:
􀁝 conhecimento preliminar do problema;
􀁝 plano preliminar de trabalho;
􀁝 aprovação da Diretoria.
Passo 2 - Definição da equipe de trabalho
Abrange a definição de quem faz o que e como.
O que fazer
􀁝 Designar profissional para a elaboração e implantação do PGRSS. Os
requisitos para a função são:
􀁺 ter registro ativo junto ao seu conselho de classe;
􀁺 apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, ou o
Certificado de Responsabilidade Técnica, ou documento similar
quando couber.
68 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
􀁝 Compor uma equipe de trabalho, de acordo com a tipificação dos resíduos gerados.
Tome nota: a escolha da equipe
O responsável legal é aquele que consta do alvará sanitário
emitido pela vigilância sanitária. O responsável pelo PGRSS
deve atender às exigências do capítulo IV da RDC no 306/04.
O responsável técnico dos serviços de atendimento
individualizado pode ser o responsável pela elaboração e implantação do PGRSS.
Quanto mais complexos forem os processos encontrados no estabelecimento, maiores são as
exigências técnicas da equipe que deverá elaborar e implementar o PGRSS. Em
estabelecimentos maiores, o grupo deve ser multidisciplinar.
O sucesso de qualquer trabalho depende muito da maneira como são escolhidos os membros
de uma equipe e de como estes utilizam os recursos, como dividem o trabalho e normatizam
sua relação interna (para a comunicação, a gestão de conflitos e outros processos). Por isso,
recomenda-se que a escolha dos membros da equipe deve estar respaldada em:
􀁝 formação técnica para as tarefas;
􀁝 responsabilidades: qualificações para as atribuições e funções;
􀁝 avaliação das competências de cada um e sua melhor utilização.
A equipe de trabalho deve ser treinada adequadamente para as tarefas e participar de todas
as etapas do plano. O responsável pelo PGRSS deve elaborar, desenvolver, implantar e
avaliar a aplicação do PGRSS, de acordo com as especificações legais já mencionadas; e
supervisionar todas as etapas do plano.
Resultado do passo 2:
􀁝 responsável pelo PGRSS definido;
􀁝 equipe de trabalho composta e treinada.
Passo 3 - Mobilização da organização
Abrange o envolvimento da organização para a realização do PGRSS.
Objetiva sensibilizar os funcionários sobre o processo que será iniciado,
disseminando informações gerais e específicas sobre RSS e o PGRSS.
O que fazer
􀁝 Promover reuniões com os vários setores para apresentar a idéia, o possível
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 69
esquema de trabalho e o que é esperado de cada unidade.
􀁝 Promover atividades de sensiblização sobre a temática, como, por exemplo,
conferências, oficinas, filmes e outras.
􀁝 Criar formas permanentes de
comunicação com os funcionários,
como, por exemplo, um painel que
seja regularmente atualizado com informações sobre temáticas ambientais e
o desenvolvimento do PGRSS.
􀁝 Organizar campanhas de sensibilização sobre necessidade do PGRSS.
􀁝 Preparar um questionário para levantar a percepção dos funcionários sobre o
meio ambiente, de forma a identificar eventuais questões chaves
relacionadas aos resíduos de serviços de saúde.
􀁝 Divulgar os resultados da pesquisa a todos os funcionários, através de
cartazes, folhetos e outros meios disponíveis na organização.
Tome nota:
Todas estas sugestões podem e devem ser interligadas, fazendo
parte de um plano de comunicação. Assim, terão maior eficácia.
Resultado do passo 3:
􀁝 conhecimento, por todos os funcionários, da importância de
se gerenciar os RSS e do que é o PGRSS;
􀁝 envolvimento dos funcionários na execução, implantação e
manutenção do PGRSS.
70 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Passo 4 - Diagnóstico da situação dos RSS
Abrange o estudo da
situação do estabelecimento
em relação aos RSS. A análise
identifica as condições do
estabelecimento, as áreas
críticas. Fornece os dados
necessários para a
implantação do plano de
gestão.
Tome nota:
É necessário efetuar o registro preciso e cuidadoso de todas as
informações obtidas que serão utilizadas no próximo passo.
O que fazer
Levantamento das atividades
􀁝 Proceder ao levantamento de todas as atividades do estabelecimento,
através de visitas às áreas administrativas, setores ou unidades especializadas
e outras.
Tome nota:
As atividades devem ser informadas pelo profissional da saúde
responsável pelo setor.
O profissional que está realizando o levantamento deve ter
capacidade técnica para relacionar os possíveis tipos de resíduos
em função do tipo de atividade daquele setor.
Identificação dos resíduos
􀁝 Identificar os resíduos, classificados nos grupos definidos - A, B, C, D, E,
recicláveis (papel, plástico, metal, vidro, matéria orgânica) - (PARA SABER
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 71
MAIS, ver capítulo 3 e anexo 3). É importante verificar detalhes sobre os tipos
de resíduos, bem como condições específicas em que são gerados no
estabelecimento.
Tome nota:
Em situações excepcionais, mas não raras, pode-se ter um
determinado resíduo de origem desconhecida. Nestes casos,
deve-se proceder da seguinte maneira:
1. Avaliar as características do resíduo, em relação à
sua periculosidade.
2. Caso positivo, o resíduo é caracterizado. Caso
negativo, perguntar se existe razão para considerá-lo
perigoso. Caso positivo, analisar a periculosidade.
􀁝 Verificar as condições de desperdício, minimização e segregação dos
resíduos.
Acondicionamento dos resíduos (PARA SABER MAIS, consulte o anexo 5)
􀁝 Identificar que tipos de recipientes são utilizados como contenedores dos RSS.
􀁝 Identificar os tipos de embalagens: sacos, plásticos, bombonas, caixa de
papelão, caixa para perfurocortantes etc.
􀁝 Verificar se a quantidade de embalagens é suficiente para a geração de resíduos.
􀁝 Identificar e verificar se existe definição e padronização dos contenedores e
embalagens.
􀁝 Verificar se estão sendo respeitados os limites de preenchimento dos
contenedores e embalagens.
􀁝 Verificar a adequação das embalagens para os resíduos químicos perigosos,
em função das suas propriedades físicas.
􀁝 Verificar a existência de acondicionamento em recipiente adequado para os
perfurocortantes.
􀁝 Verificar se os contenedores são de material lavável, resistente à punctura,
ruptura e vazamento, com tampa provida de sistema de abertura, com
cantos arredondados e resistentes ao tombamento.
Coleta e transporte interno
􀁝 Verificar se a coleta está sendo feita separadamente de acordo com o grupo
de resíduos e em recipientes específicos a cada grupo de resíduos.
􀁝 Descrever as coletas abordando sua forma em função do grupo de resíduos,
tipos de recipientes, carros de coleta, equipe, quantidade, freqüência, fluxos de
resíduos etc.
72 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
􀁝 Verificar se o dimensionamento da coleta está adequado ao volume gerado,
número de funcionários disponíveis, número de carros de coletas,
equipamentos de proteção individual - EPIs necessários conforme as normas
de saúde e segurança do trabalho e demais ferramentas e utensílios utilizados
na coleta.
􀁝 Verificar se existe padronização de turnos, horários e freqüência de coleta
para os diferentes tipos de resíduos.
􀁝 Verificar a técnica do manuseio da coleta: fechamento dos sacos, transporte
dos sacos, afastamento entre o saco e o corpo do funcionário, uso de EPIs.
􀁝 Verificar se o tipo de resíduo está compatível com a cor do saco.
􀁝 Verificar se, para o transporte manual, os recipientes estão adequados.
􀁝 Verificar o transporte mecânico e uso de carro de coleta.
􀁝 Verificar se os carros de coleta estão devidamente identificados com
símbolos de segurança.
􀁝 Verificar o estado de conservação dos carros de coleta.
Fluxo da coleta interna
􀁝 Verificar o traçado e desenhar os roteiros (itinerários) das coletas até o
abrigo (o caminho dos resíduos).
􀁝 Levantar as freqüências, fluxo, nível de ruído e horário das coletas.
􀁝 Levantar e sistematizar as características de cada roteiro para os diversos
resíduos.
􀁝 Verificar a compatibilidade de roteiros previamente definidos para cada tipo
de resíduo e horários das coletas em função da distribuição de roupas,
alimentos e medicamentos, períodos de visita ou de maior fluxo de pessoas ou
de atividades.
Quantificação dos RSS
􀁝 Levantar volume gerado por setor, ou seja, no de sacos de lixo x litros/dia,
para todos os tipos de resíduos;
􀁝 Estabelecer um período de coleta dos dados, ou seja, turno/dia/semana/mês.
Armazenamento interno e externo
􀁝 Verificar as condições de armazenamento existentes.
􀁝 Verificar o armazenamento dos resíduos de acordo com a regra de
segregação por tipo de resíduos (PARA SABER MAIS, consulte o anexo 1).
􀁝 Verificar se as embalagens com resíduos estão contidas em recipientes
devidamente fechados.
􀁝 Verificar se o número de contenedores é compatível com a quantidade e
tipos de resíduos gerados.
􀁝 Verificar se os ambientes disponíveis para guarda temporária atendem aos
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 73
requisitos mínimos de dimensionamento, equipamentos e segurança.
􀁝 Verificar se as salas de resíduos e abrigos estão compatíveis com tipos de
resíduos gerados e sua quantidade.
􀁝 Verificar como é efetuada a limpeza do ambiente de armazenamento interno
e externo.
􀁝 Verificar como é realizado o processo de coleta externa.
􀁝 Verificar quais os tipos de contenedores existentes no abrigo de resíduos.
􀁝 Verificar se a construção do local de armazenamento externo é exclusiva
para resíduos.
􀁝 Verificar se os abrigos possuem símbolo de identificação (ver tabela à pág.
43 - segundo a NBR 7500), em local de fácil visualização, de acordo com a
natureza do resíduo.
􀁝 Verificar a existência de abrigos com separação para os diferentes tipos de
resíduos.
􀁝 Verificar o armazenamento dos resíduos químicos perigosos considerando
as medidas de segurança recomendadas.
􀁝 Verificar a existência de resíduos sem identificação.
􀁝 Verificar se o abrigo de resíduo químico do grupo B perigoso está projetado,
construído e é operado de acordo com as normas de segurança e higiene
definidas pela NBR 12.235.
􀁝 Verificar para onde está sendo encaminhado o efluente da lavagem do abrigo
e da área de higienização.
Área de higienização
􀁝 Verificar se o abrigo possui área de higienização para carros de coleta interna
e demais equipamentos utilizados, dotada de ventilação, cobertura, iluminação
artificial, ponto de água (preferencialmente quente e sob pressão), piso
impermeável, drenagem e ralo sifonado.
Coleta e transporte externo
􀁝 Verificar quais são as empresas coletoras e se as mesmas emitem certificação
de conformidade com as orientações do órgão de limpeza urbana.
􀁝 Verificar o sistema de coleta adotado, se em contenedores basculáveis
mecanicamente ou manualmente, freqüência de coleta, se ocorre
disponibilização dos contenedores pela empresa.
􀁝 Verificar os tipos de veículos utilizados de acordo com sua adequação às normas.
􀁝 Verificar se o veículo possui sistema de contenção para líquidos.
􀁝 Verificar o procedimento da coleta pelos funcionários da equipe de coleta, quanto
ao rompimento de sacos, liberação de líquidos ou contaminação do ambiente.
􀁝 Verificar o uso de EPIs pelos funcionários da empresa.
74 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1 73
Tratamento
􀁝 Verificar se os resíduos do grupo A, que requerem tratamento prévio à
disposição final, estão sendo tratados em equipamentos adequados e licenciados
e quais não estão sendo tratados.
􀁝 Verificar quais são os tipos de tratamento dispensados aos resíduos.
􀁝 Verificar se o estabelecimento possui tratamento prévio ou tratamento
interno ou se o serviço é terceirizado.
􀁝 Identificar as empresas tratadoras de resíduos de serviços de saúde e se as mesmas
emitem certificação de conformidade com as orientações do órgão ambiental.
􀁝 Verificar se as empresas terceirizadas que cuidam do tratamento dos resíduos
estão licenciadas pelo órgão ambiental.
􀁝 Verificar quais resíduos químicos perigosos estão sendo submetidos a
tratamento, quais estão sendo dispostos em aterro, e quais estão sendo
submetidos a processo de reutilização, recuperação ou reciclagem.
􀁝 Verificar a existência de rede coletora com tratamento de esgoto.
􀁝 Verificar o processo para decaimento de rejeitos radioativos (se houver).
Disposição final
􀁝 Verificar quais os tipos de disposição final existentes.
􀁝 Caso a disposição final seja o aterro sanitário ou célula especial de RSS,
verificar se os mesmos possuem licenciamento ambiental.
Política de gestão ambiental
􀁝 Verificar a existência de política de gestão ambiental no estabelecimento.
􀁝 Verificar a existência de consciência ambiental.
􀁝 Verificar a existência de gestão de riscos ambientais.
􀁝 Verificar a existência de Sistema de Gestão Ambiental - SGA.
􀁝 Verificar a necessidade de adequação do espaço físico do estabelecimento
para atender normas, legislações e facilitar o correto gerenciamento dos RSS.
Capacitação e treinamento
􀁝 Levantar cursos, treinamentos e campanhas voltados a todos os envolvidos
no gerenciamento, bem como suas freqüências, onde o foco é a questão
ambiental (abastecimento de água, resíduos sólidos, esgotos, poluição do ar,
sustentabilidade e outros).
Avaliação global dos dados levantados
􀁝 Elaborar um relatório baseado em fatos comprobatórios e na pesquisa
realizada seguindo os passos acima listados.
􀁝 Abordar, no relatório, as seguintes questões: a descrição de todos os
procedimentos relacionados à gestão dos RSS; os aspectos problemáticos; as
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 75
referências às legislações, regulamentos, normas etc.
􀁝 Apresentar formalmente o relatório de diagnóstico ao gestor do
estabelecimento para o esclarecimento de dúvidas e ajustes pertinentes.
Tome nota: Os cuidados na elaboração do
relatório
Para garantir que a análise seja eficaz para a elaboração do
plano, é preciso que o relatório de diagnóstico seja:
- sintético, de leitura fácil, que ressalte a informação essencial,
eliminando o que for dispensável para a ação;
- preciso, com os caminhos descritos de forma clara e emblemática, sem proselitismo;
- estruturado, de forma a contemplar as grandes linhas de orientação;
- coerente, garantindo a lógica da sucessão de ações descritas com títulos compatíveis com o
conteúdo, argumentos claros e pertinentes;
- comprobatório, evitando conclusões frágeis e difíceis de serem provadas;
- impessoal, evitando críticas e citações de pessoas da organização relacionadas a áreas com
problemas.
Resultado do passo 4:
􀁝 relatório contendo a análise da situação atual do serviço de saúde
quanto à gestão dos RSS e identificação de situações críticas, semi-críticas
e não críticas.
Passo 5 - Definição de metas, objetivos,
período de implantação e ações básicas
Corresponde à organização e
sistematização de informações
e ações que serão a base para a
implantação contínua do
PGRSS.
76
Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
O que fazer
􀁝 Delimitar o quadro de intervenção e a dotação financeira preliminar para a
seqüência dos trabalhos.
Tome nota:
O PGRSS pode ser feito por meio de gestão direta ou em
parceria. Para definir isso, é preciso saber em que campo se
deseja atuar e quais as grandes linhas metodológicas e as
implicações de se fazer diretamente ou não.
􀁝 Decidir quais as metas a serem atingidas.
􀁝 Indicar o momento adequado para se dar início à execução do plano e
definir cronograma.
􀁝 Construir os objetivos que levarão ao atingimento das metas.
􀁝 Dimensionar a equipe de trabalho, relacionando número de empregados,
cargos, formação e responsabilidade técnica.
􀁝 Dimensionar espaços necessários, materiais e equipamentos.
Tome nota:
A finalidade principal do PGRSS é estabelecer as condições
necessárias para a segurança do processo de manejo dos
resíduos. Outras finalidades específicas de cada estabelecimento
podem ser nomeadas, para cumprir as metas que forem
estipuladas. Abaixo, exemplos de objetivos:
􀁝 Criar práticas de minimização dos resíduos.
􀁝 Substituir os materiais perigosos, sempre que possível, por outros de menor periculosidade.
􀁝 Reduzir a quantidade e a periculosidade dos resíduos perigosos.
􀁝 Propiciar a participação e envolvimento dos funcionários do estabelecimento.
􀁝 Atrelar ao gerenciamento um trabalho de responsabilidade, co-responsabilidade e
responsabilidade social.
􀁝 Conhecer a realidade local ou regional da coleta, tratamento e disposição final dos resíduos
sólidos.
􀁝 Conhecer os diferentes tipos de resíduos gerados nas várias áreas de um estabelecimento
prestador de serviços de saúde, propiciando a diminuição dos riscos à saúde e a preservação
do meio ambiente, por meio de medidas preventivas e/ou efetivas.
􀁝 Criar a coleta seletiva dos materiais reciclados.
􀁝 Criar o manual de boas práticas em manejo dos resíduos sólidos.
􀁝 Criar procedimentos básicos e adequados para o correto gerenciamento dos resíduos sólidos.
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 77
􀁝 Criar procedimentos de auditoria interna e supervisão.
􀁝 Melhorar as medidas de segurança e higiene no trabalho.
􀁝 Minimizar os riscos sanitários e ambientais derivados dos resíduos sólidos (contaminação
do solo, água, catadores etc.).
􀁝 Desenvolver um trabalho de prevenção contra os riscos potenciais decorrentes do manuseio
dos resíduos sólidos, com o pessoal da coleta.
􀁝 Exercer a responsabilidade social.
Investimentos econômico-financeiros
􀁝 Relacionar e quantificar os investimentos necessários para a implantação e
avaliação do PGRSS (ver modelo 1 anexo a este capítulo).
Cronograma de implantação e execução do PGRSS
􀁝 Ordenar as propostas de ação em função de sua prioridade.
􀁝 Definir, para todas, o que fazer, quando e como.
Tome nota:
Cada proposta de ação deve incluir:
􀁝 Descrição da ação
􀁝 Resultados esperados
􀁝 Recursos humanos necessários
􀁝 Materiais necessários
􀁝 Recursos econômicos necessários
􀁝 Data de implementação e cronograma.
􀁝 Definir os recursos necessários para implantar as ações, como compra de
contenedores e outras que não dependem de obras.
􀁝 Elaborar projetos para as obras civis necessárias, de acordo com
especificações técnicas e orientações de normas técnicas da ABNT, do
Ministério do Trabalho, do órgão de vigilância, do órgão de controle
ambiental e da legislação sanitária e ambiental em vigor, assim como das
normas e padrões estabelecidos pelos serviços públicos (por exemplo, de água
e esgoto).
􀁝 Obter, dos órgãos públicos, aprovação para construção de abrigos,
ampliação de sala de resíduos, tratamento e outras obras estabelecidas no
plano de ação.
􀁝 Obter os recursos necessários.
78 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Resultado do passo 5:
􀁝 metas, objetivos e período de realização do PGRSS definidos;
􀁝 relatório contendo todas as ações propostas, com indicação de recursos e
tempo para implantação.
Passo 6 - Elaboração do PGRSS
Abrange o plano para o gerenciamento contínuo dos resíduos de serviços de
saúde.
O que fazer
􀁝 Hierarquizar os problemas diagnosticados, verificando: sua gravidade ou
urgência; os custos de sua resolução (financeiros, humanos e materiais); o
prazo e o esforço necessários para isso; a facilidade de envolvimento da
organização no processo de mudança.
􀁝 Verificar a efetividade dos programas de prevenção ambiental e promoção
da saúde existentes.
􀁝 Seguir um roteiro para a construção do plano de acordo com as legislações
sanitárias e ambientais.
Tome nota:
Cada PGRSS é único, mesmo que se tratem de
estabelecimentos com as mesmas atividades. O que os
diferencia é estar de acordo com o diagnóstico específico.
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 79
Grande parte das informações necessárias ao roteiro de elaboração do PGRSS vem,
portanto, das análises da situação existente obtidas no diagnóstico.
Não é incomum, ademais, mudanças no PGRSS ou até mesmo substituição do
plano inicial, no decorrer da pesquisa, diagnóstico e desenho das primeiras
propostas. É aí que reside o valor do plano, constituindo-se em uma base sólida
para acertos e ajustes.
Dados sobre o estabelecimento
􀁝 Informar os dados gerais do estabelecimento (ver modelo 2, anexo a este
capítulo).
􀁝 Informar os componentes da equipe e/ou empresa que elabora e
implementa o PGRSS, com identificação da ART e números dos conselhos de
classe, quando for o caso (ver modelo 3 anexo a este capítulo).
􀁝 Informar a caracterização do estabelecimento (ver modelo 4 anexo a este
capítulo).
􀁝 Informar quais são as atividades e serviços predominantes no
estabelecimento (ver modelo 5 anexo a este capítulo).
Caracterização dos aspectos ambientais
Abastecimento de água
􀁝 Informar qual o sistema de abastecimento (rede pública ou solução
alternativa - poço, caminhão-pipa etc.). No caso de poço, informar a licença
de uso e outorga.
􀁝 Informar se existe aplicação de produtos químicos na água para o
abastecimento.
􀁝 Informar se existe o controle de qualidade da água interno e/ou externo.
Efluentes líquidos
􀁝 Informar a forma de esgotamento sanitário dos efluentes.
􀁝 Informar se existe tratamento ou não dos efluentes no estabelecimento ou
na rede coletora.
Emissões gasosas
􀁝 Informar se existe geração de vapores e gases, identificar e localizar os
pontos de geração.
Tipos e quantidades de resíduos gerados
􀁝 Identificar e quantificar os tipos de resíduos gerados ou a serem gerados no
estabelecimento em cada setor (unidade) gerador (ver modelo 6 anexo a este
capítulo).
80 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Segregação
􀁝 Informar as formas de segregação que serão adotadas para os grupos A, B,
C, D, incluindo os recicláveis, e E.
􀁝 Informar quais os EPIs e EPCs a serem utilizados.
Tipo de acondicionamento
􀁝 Descrever os tipos de acondicionamento que serão adotados em função dos
grupos de resíduos, suas quantidades diárias e mensais.
􀁝 Informar a forma de acondicionamento que será adotada compatível com a
segregação proposta.
􀁝 Informar quais os EPIs e EPCs necessários.
􀁝 Informar como e onde serão acondicionados os resíduos dos grupos A, B,
C, D e E, considerando lixeiras, contenedores, tipos de sacos plásticos,
bombonas, sala de resíduos, abrigo e suas identificações em função do tipo de
resíduos nas áreas internas e externas do estabelecimento.
􀁝 Informar as cores e símbolos padronizados para cada tipo de resíduos.
Coleta e transporte interno dos RSS
Coleta interna
􀁝 Informar o método de coleta e transporte que será adotado.
􀁝 Descrever as formas de coleta em função dos grupos de resíduos, tipos de
recipientes, carros de coleta, equipe, quantidade, freqüência, roteiros de
resíduos, entre outros.
􀁝 Informar se a coleta adotará o armazenamento temporário.
􀁝 Determinar a rotina e freqüência de coleta interna para cada unidade ou
setor do estabelecimento.
􀁝 Informar os EPIs e EPCs utilizados para realizar a coleta interna do resíduo.
􀁝 Informar como serão higienizados os carros coletores, produtos utilizados e
freqüência.
Roteiros de coleta
􀁝 Determinar os roteiros de coleta interna, de acordo com o volume de
resíduos gerados por tipo de grupo.
Tome nota:
A rota de coleta interna deve observar as outras rotinas de
fluxo de material limpo, evitando, sempre que factível, o
chamado roteiro cruzado. Um roteiro pode ser traçado,
buscando-se, através de tentativas, a melhor solução que
atenda simultaneamente a condicionantes tais como o sentido, freqüência e horário,
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 81
evitando-se, assim, o já mencionado fluxo cruzado e percursos duplicados ou
improdutivos.
􀁝 Determinar os roteiros e rotinas de coleta por tipo de resíduo, se possível
identificando-os na planta baixa do estabelecimento.
􀁝 Informar a rotina e freqüência de coleta interna para cada unidade ou setor
do estabelecimento.
Transporte interno
􀁝 Informar como serão os transportes internos de resíduos, se separadamente
em carros ou recipientes coletores específicos a cada grupo de resíduos.
􀁝 Definir os tipos e quantidade de carros coletores que serão utilizados para o
transporte de cada grupo de resíduos, capacidade dos carros, identificação,
cores etc.
Armazenamento temporário interno dos RSS
􀁝 Caso seja adotado, identificar a localização, tipos de resíduos a serem
armazenados, freqüência de coleta.
􀁝 Informar os tipos e quantidades de coletores para a guarda temporária de
resíduos e as sinalizações para identificação dessas áreas.
􀁝 Informar como serão higienizados esses espaços e freqüência de limpeza.
Armazenamento temporário para a coleta externa dos RSS
􀁝 Informar a quantidade de contenedores a ser utilizada para cada grupo de
RSS, capacidade volumétrica de cada um e disposição na área.
􀁝 Informar a rotina do armazenamento externo do estabelecimento de saúde.
􀁝 Informar como se dará a rotina de recepção dos RSS das coletas internas.
􀁝 Informar como são higienizados o abrigo, os contenedores, carros coletores
e com que freqüência.
􀁝 Informar os EPIs e EPCs a serem utilizados.
Coleta e transporte externo dos RSS
􀁝 Informar se a coleta externa é realizada pelo setor público ou empresa
particular.
􀁝 Informar o tipo de veículo utilizado para o transporte.
􀁝 Informar a rotina e freqüência de coleta externa do estabelecimento para os
diferentes tipos de resíduos gerados.
􀁝 Informar o destino dos resíduos coletados, por tipo.
􀁝 Anexar os documentos comprobatórios (licenças, alvarás e outros) das
empresas coletoras, dos transbordos, quando houver (ver modelo 7 anexo a
este capítulo).
82 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Tratamento dos RSS
􀁝 Informar a existência de tratamento interno e externo para os resíduos,
especificados por tipo de resíduo (ver modelo 8 anexo a este capítulo).
􀁝 Descrever o sistema de decaimento de rejeitos radioativos.
􀁝 Especificar os tipos de tratamento adotados para cada grupo de resíduos e
quais os equipamentos e instalações de apoio, incluindo os seguintes aspectos:
tecnologias de tratamento adotadas; nome da empresa responsável pela
operação do sistema; localização das unidades de tratamento, endereço e
telefone; responsável técnico pelo sistema de tratamento, nome, RG, profissão
e registro profissional.
􀁝 Informar os tipos, formas e rotinas de pré-tratamento e tratamento interno
dos RSS.
􀁝 Informar os EPIs e EPCs necessários.
􀁝 Anexar os documentos comprobatórios (licenças, alvarás, documentos de
monitoramento definidos pelo órgão ambiental) dos sistemas e tecnologias
adotados.
Disposição final dos RSS
􀁝 Informar as formas de disposição final dos RSS e especificar por tipo de
resíduos.
􀁝 Informar quais as empresas que executam a disposição final dos RSS.
􀁝 Anexar os documentos comprobatórios (licença ambiental, documentos de
monitoramento, definidos pelo órgão ambiental) de que a empresa está apta a
realizar o serviço.
􀁝 Indicar a localização das unidades de disposição final adotadas para cada
grupo de resíduos e seus respectivos responsáveis técnicos (nome, RG,
profissão, registro profissional, empresa ou instituição responsável e telefone)
(ver modelo 9 anexo a este capítulo).
Empresas terceirizadas
􀁝 Informar nome, endereço, CNPJ, responsável legal, responsável técnico,
quando couber, das empresas responsáveis pela execução dos serviços de
coleta, tratamento e disposição final dos resíduos por grupo.
Outras avaliações de riscos
􀁝 Informar o mapa de risco do estabelecimento, se houver.
Serviços especializados
􀁝 Informar se o estabelecimento possui SESMT, Cipa, PPRA e PCMSO.
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 83
Recursos humanos, CCIH, Cipa, SESMT e Comissão de Biossegurança
􀁝 Abordar as inter-relações entre as diversas estruturas existentes no
estabelecimento (CCHI, Cipa etc.).
􀁝 Fazer um resumo das responsabilidades e qualificações de cada um (ver
modelo 10 anexo a este capítulo).
Capacitação
􀁝 Descrever as capacitações a serem realizadas, nas formas inicial e de
educação continuada (ver modelo 11 anexo a este capítulo).
Controle de insetos e roedores
􀁝 Informar e descrever as medidas preventivas e corretivas do programa de
controle de insetos e roedores.
Situações de emergência e de acidentes
􀁝 Descrever as ações a serem adotadas em situações de emergência e acidentes.
Por exemplo: procedimento adotado em caso de derramamento, greve de
funcionários etc.
Identificação e locação em planta arquitetônica
􀁝 Informar, em planta baixa, em escala, os locais de geração de resíduos por
grupo, os fluxos e os roteiros a serem executados por tipo de resíduos, locais
de armazenamento, lixeiras etc.
Indicadores de execução e avaliação
􀁝 Especificar o que se quer avaliar, quais as mudanças propostas e
mensuráveis, levando em conta o objetivo e/ou resultado fixado.
􀁝 Informar quais os indicadores para acompanhar a execução/ implementação
do PGRSS e medição do impacto do plano (ver modelo 12 anexo a este
capítulo que contém os indicadores mencionados na RDC ANVISA no
306/04).
Tome nota: O que são indicadores
A monitoração e avaliação do progresso de qualquer gestão de
resíduos sólidos devem ser baseadas em instrumentos de
aferição, denominados indicadores, que servem para saber a
qualquer momento qual é a situação em relação ao que foi
planejado. Os indicadores são descrições operacionais (em quantidade, em qualidade, de
acordo com o público-alvo ou localização) dos objetivos e resultados do PGRSS e que podem
ser medidos de maneira confiável.
84 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Os indicadores, portanto, devem servir para avaliar resultados. Eles podem medir: o
desempenho do PGRSS (estágio de andamento do projeto ou de uma atividade, durante a
fase de execução) ou o impacto do PGRSS (efeitos que o plano gerou na população-alvo ou
no meio socioeconômico).
Um número limitado de indicadores e de fontes de verificação pode substituir uma infinidade
de dados e de estatísticas acumuladas nos projetos e, ao mesmo tempo, aumentar a qualidade
do acompanhamento. Muitas vezes, os bons indicadores só são "descobertos" durante a ação.
Assim, não se deve hesitar em rever os indicadores durante as revisões periódicas do
PGRSS. Em certos casos, não é necessário inventar indicadores, estes já existem.
􀁝 Especificar a fonte de informação e/ou o meio de coleta da informação
necessária para a avaliação.
Tome nota:
Um bom indicador deve ser:
􀁝 sensível: capaz de registrar diversos tipos de modificações num
dado período de tempo;
􀁝 específico: atribuído a um objetivo/ resultado. O mesmo
indicador geralmente só pode ser utilizado uma vez;
􀁝 mensurável: seja em termos quantitativos ou qualitativos;
􀁝 exeqüível: os dados necessários para sua leitura estão à disposição podendo ser obtidos no
tempo necessário e mediante recursos proporcionais ao objetivo a ser medido;
􀁝 plausível: as mudanças medidas estão diretamente ligadas às intervenções do PGRSS;
􀁝 confiável: quando utilizado por várias pessoas, num contexto idêntico, chega ao mesmo
resultado.
Validação
􀁝 Após a redação de todo o plano, obter a validação deste pelo gestor do
estabelecimento ou instituição.
Tome nota:
O PGRSS é um documento de referência para que o
estabelecimento implante o plano, explique-o interna e
externamente e para quaisquer outras ações de gestão de
resíduos de serviços de saúde.
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 85
Resultado do passo 6:
􀁝 PGRSS elaborado;
􀁝 forma de avaliação definida;
􀁝 documento contendo relatório validado pelo gestor.
Passo 7 - Implementação do PGRSS
Abrange as ações para a implementação do PGRSS, com base no documento
contendo o plano validado pelo gestor do estabelecimento ou instituição.
O que fazer
􀁝 Estabelecer, das ações, procedimentos e rotinas concebidos no PGRSS, os
prioritários, indispensáveis ao início da operação.
􀁝 Estabelecer um plano de contingência até que todas as ações necessárias
para implantar o plano estejam prontas.
􀁝 Executar as obras planejadas.
􀁝 Fazer o acompanhamento estratégico e operacional das ações.
Tome nota:
Para a implementação do PGRSS é indispensável observar os
seguintes requisitos:
􀁝 a disponibilidade de recursos financeiros;
􀁝 se a equipe técnica está capacitada;
􀁝 o comprometimento de todos os funcionários, iniciando com a alta diretoria até os serviços
menos representativos.
Resultado do passo 7:
􀁝 PGRSS implantado.
Passo 8 - Avaliação do PGRSS
Estabelece os períodos e formas de avaliação do PGRSS, de acordo com
indicadores.
86 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
O que fazer
􀁝 Verificar se os resultados esperados foram ou serão atingidos e, se existirem
diferenças, quais as razões.
􀁝 Verificar se outros indicadores, com melhor desempenho e mais pertinentes
que os estabelecidos, podem ser utilizados na continuidade do plano.
􀁝 Elaborar um quadro de acompanhamento apontando o resultado da
avaliação.
􀁝 Propor adaptações ao PGRSS, onde for necessário, considerando a avaliação
feita e outras auditorias internas e externas.
􀁝 Discutir com a equipe e o setor responsável pelas adaptações propostas e
considerá-las no orçamento.
Tome nota:
Além de verificar o andamento do projeto em seus elementos
tangíveis, uma boa avaliação deve:
􀁝 ser uma ferramenta de gestão mais do que uma ferramenta de
controle;
􀁝 inserir-se num processo de informação, de comunicação e de busca de educação ambiental
e melhoria;
􀁝 melhorar a capacidade da instituição de compreender as realidades nas quais intervém,
agir e se organizar de maneira eficaz e eficiente;
􀁝 facilitar a avaliação de maneira que as equipes e os responsáveis tenham uma idéia clara
da gestão dos RSS;
􀁝 aperfeiçoar os indicadores identificados durante o planejamento para avaliar o desempenho
da implantação.
Resultado do passo 8:
􀁝 PGRSS avaliado;
􀁝 modificações, adaptações e redefinições.
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 87
Sugestões para registro das informações
necessárias para o PGRSS
Modelo 1 - Equipamentos necessários e recursos
correspondentes
88 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Modelo 2 - Dados gerais do estabelecimento
Modelo 3 - Componentes da equipe de elaboração
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 89
Modelo 4 - Caracterização do estabelecimento
90 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Organograma do estabelecimento
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 91
Diretoria
Superintendência
Diretoria Adjunta
Comercial
Gerência de Finanças
e Controle
Tesouraria Compras RH Qualidade
Faturamento Farmácia SESMT Marketing
Planejamento e Controle
Estatístico
Gerência de
Suprimentos
Gerência de
Recursos Humanos
Diretoria Adjunta
Recursos Humanos
Diretoria Adjunta
Qualidade
Modelo 5 - Caracterização das atividades e serviços
o estabelecimento
Modelo 6 - Tipos de resíduos gerados
Quantidade de resíduos coletados por unidade
A = resíduos do grupo A.
B = resíduos do grupo B.
C = resíduos do grupo C.
D = resíduos do grupo D.
E = resíduos perfurocortantes.
RE = resíduos recicláveis (papelão, vidro, metais, outros).
ES = resíduos específicos (entulho, móveis, eletroeletrônicos, lâmpadas
fluorescentes etc.).
Quantidade de resíduos coletados por grupo de resíduos
92
Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Modelo 7 - Informações sobre coleta e transporte externo
Empresas coletoras de serviços
Freqüência de coleta
Tipos de veículos utilizados na coleta
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 93
Modelo 8 - Tipos de tratamento interno e externo
dos resíduos
Modelo 9 - Informações sobre a disposição final dos
resíduos
94 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1
Modelo 10 - Responsabilidades e qualificações das equipes
de CCIH, Cipa, SESMT e Comissão de Biossegurança
Modelo 11 - Capacitação da equipe de implantação
do PGRSS
Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde 95
Modelo 12 - Indicadores indispensáveis para a avaliação
do PGRSS
96 Séries temáticas Anvisa Tecnologias em Serviços de Saúde Volume 1

quinta-feira, 3 de junho de 2010

COMPETENCIA E TREINAMENTO

4.4.2 Competência, treinamento e conscientização
Todos os profissionais que realizem tarefas que possam causar impactos na
SST devem ser competentes com base em: formação apropriada, treinamento ou
experiência itens (OHSAS 18001, 2007, p. 21).
Educação (formação apropriada), treinamento e experiência, são definidos
como (MELLO, 2008, p. 98):
• Educação: subtende-se o período de graduação que a pessoa adquiriu
ao longo de sua vida, desde o ensino básico, médio, superior, podendo
chegar até o doutorado;
• Treinamento: é o ato ou processo de fornecer ou receber instrução para
uma habilidade, profissão ou ocupação particular, tais como cursos de
pequena carga horária, como, por exemplo: metrologia, auditoria interna,
leitura de mudanças, etc.;
• Experiência: é o conhecimento prático obtido por meio de fatos ou
eventos, considerado como fonte de conhecimento, tal como as
capacitações adquiridas pelo trabalho em dada atividade por um longo
período de tempo, como, por exemplo, operação de máquinas em geral.
(MELLO, 2008, p. 98)
22
A Figura 10 é um exemplo de definição de competência, o qual pode ser
utilizado como ferramenta para: novas contratações, mudança de funções e
identificação de novos treinamentos (BENITE, 2006, p. 62).
Figura 10 – Exemplo de definição de competências
A organização deve identificar as necessidades de treinamento associados à
SST e ao SGSST. Após a referida identificação a organização deve treinar ou tomar
outra ação para atender a essas necessidades, avaliar a eficácia do treinamento ou da
ação tomada e arquivar os registros associados. Igualmente, a organização deve
estabelecer, implementar e manter procedimento para conscientizar os seus
profissionais em relação aos seguintes itens (OHSAS 18001, 2007, p. 21):
• Das conseqüências reais ou potenciais da SST, das atividades do
trabalho, de seu comportamento, e dos benefícios para a SST da
melhoria dos seus profissionais;
• De suas funções e responsabilidades em relação ao SGSST, em
especial para os requisitos de preparação e resposta a emergências; e
• Das potenciais conseqüências da inobservância de procedimentos
especificados.
O procedimento de conscientização deve considerar: responsabilidade,
habilidade, proficiência

AVALIAÇÃO DE PERIGOS

4.3.1.3 Avaliação de riscos
A avaliação de riscos é um termo, comumente, utilizado, para abranger todo o
processo de identificação de perigos, avaliação de riscos e determinação de controles,
porém tanto a OHSAS 18001 como a OHSAS 18002 tratam cada elemento
individualmente (OHSAS 18002, 2008, p. 31). Segundo a OHSAS 18002 (2008, p. 31)
“avaliação de risco(s)” é um processo para estimar/calcular o(s) risco(s) proveniente(s)
de perigo(s), levando em consideração a adequação de qualquer controle existente, e
decidindo se o risco é ou não aceitável.”
Há diversos fatores que podem ser incluído no processo de entrada de
avaliação de riscos, entre quais destacamos alguns: detalhes sobre o(s) local(is) onde o
trabalho é realizado; proximidade e abrangência para interações perigosas entre
atividades no local de trabalho; competência dos profissionais que normalmente
realizam atividades perigosas; proximidades de outros profissionais (não pertencentes
ao local de trabalho) que podem ser afetados pelo trabalho perigoso; precisão e
confiabilidade dos dados disponíveis para a avaliação de riscos; entre outros. (OHSAS
18002, 2008, p. 31 e 32).
“É impreterível que a avaliação de riscos seja efetuada por profissionais
competentes, quanto à metodologia e técnicas pertinentes de avaliação de riscos.”
(OHSAS 18002, 2008, p. 31 e 32).
13
Entre as diversas metodologias existentes, na identificação de perigos e
avaliação de riscos, estaremos apresentando uma das mais usuais, a saber: Análise
Preliminar de Riscos (APR). A APR idealizada pelo Departamento de Defesa dos
Estados Unidos é uma técnica que consiste na formação de grupos de trabalho,
multifuncionais (não apenas da equipe de SST), que utilizam um formulário específico,
vide Figura 5, objetivando a análise de cada uma das origens levantadas, a fim de
identificar os perigos existentes, em quais situações estes perigos ocorrem, quais os
danos podem gerar e realizar uma avaliação de riscos. A APR é concluída por meio de
raciocínio coerente, ou seja, através de um processo baseado na realização de
hipóteses através de dados observáveis, permitindo indicar a ocorrência de uma
determina origem, mas jamais por intuição, ou melhor, por hipóteses infundadas, as
quais independem de raciocínio ou de análise (BENITE, 2006, p. 50).
Figura 5

IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS

4.3.1.2 Identificação de perigos
Os métodos para a identificação de perigos irão variar de organização para
organização, desde as avaliações mais simples a análises extremamente complexas. O
fato é que os métodos irão variar de acordo com a identificação do perigo (OHSAS
18002, 2008, p. 26).
A identificação de perigo tem como objetivo antecipar futuros problemas de
todas as fontes, situações ou atos originários das atividades da organização que
tenham potencial de expor os profissionais a lesões ou doenças, levando em
consideração os diferentes tipos de perigos no local de trabalho, tais como: físicos,
químicos, biológicos e psicossociais. Para tanto, a organização necessita estabelecer
ferramentas e técnicas específicas para a identificação de perigos que sejam
relacionados ao escopo do SGSST (OHSAS 18002, 2008, p. 27).
Como orientação a organização deve considerar as seguintes fontes de
informação durante o processo de identificação de perigos: requisitos legais e outros
requisitos determinados pela organização; política da SST; dados de monitoramento;
exposição ocupacional e avaliações de saúde; registros de incidentes, de auditorias,
12
avaliações ou análises críticas anteriores, contribuição das partes interessadas,
incluindo os profissionais da organização, informações de outros sistemas de gestão,
entre outras informações (OHSAS 18002, 2008, p. 28).
Os processos de identificação de perigos também devem contemplar:
atividades e situações de rotina quanto às não rotineiras; todas as pessoas que
acessam o local de trabalho; fatores humanos como: capacidades, comportamentos ou
limitações, quando analisado os perigos e riscos dos processos, equipamentos e
ambiente de trabalho; fatores externos ao local de trabalho (OHSAS 18002, 2008, p

ERGONOMIA PRATICA

8 ERGONOMIA PRÁTICA
Neste capítulo ilustraremos algumas regras básicas de intervenções
ergonômicas na prática de trabalho de profissionais engenheiros, médicos do
trabalho, tecnólogos e técnicos de segurança do trabalho dentre outros que atuam
no campo da ergonomia. Inicialmente abordaremos o uso dos computadores nos
ambientes de trabalho.
Ergonomia e o Computador
É comum ficarmos horas e horas na frente de um terminal de vídeo,
usando o computador e nem percebemos o tempo passar. No final do dia, no
entanto, é comum aquele desconforto em pescoço, ombros, pernas e na coluna.
Além do uso prolongado, ao mantermos uma postura estática, contraída e
assimétrica, o risco de que estas dores evoluam para doenças de cunho
osteomuscular é muito grande (COUTO, 2002; VIDAL, 2002).
Vejamos, portanto, o que podemos fazer para se evitar dores musculares
e desconfortos ao usarmos computadores. Mais importante ainda, como
profissionais de saúde e segurança do trabalho, é imprescindível que se tenha
conhecimento sobre como prevenir doenças osteomusculares relacionadas à
interação entre o ser humano e a tecnologia disponível (COUTO, 2002; VIDAL,
2002).
Segundo Couto (2002), as principais situações anti-ergonômicas no
trabalho com computadores são:
a) Mobiliário inadequado de trabalho (exemplo: cadeira inadequada para se
desenvolver atividades com o uso de computadores);
b) Trabalhar com o monitor deslocado para a lateral;
c) Trabalhar com o telefone preso entre o pescoço e o ombro;
d) Monitor de vídeo excessivamente alto ou baixo;
e) Teclado excessivamente alto ou baixo;
f) Uso do mouse com abdução do ombro direito ou longe do corpo;
g) Dificuldade visual em esforços prolongados de visualização do monitor de
vídeo.
Dentre as recomendações para se organizar de maneira ergonômica um
posto de trabalho com computador, Couto (2002) destaca as seguintes:
a) Mesa com altura de 75 cm, largura (profundidade) de 75 – 80 cm e
comprimento mínimo de 120 cm;
b) No caso de pessoas muito altas, é importante a possibilidade de ter em seu
posto de trabalho uma altura da mesa de cerca de 80 cm;
c) Caso pessoas muito altas e muito baixas utilize-se da mesma mesa de
trabalho, as mesmas devem possuir mecanismos para regulagens de
altura.
d) O monitor de vídeo deve estar à frente do usuário, e os olhos do mesmo e o
monitor devem formar um ângulo de leitura desde os olhos até o centro da
tela de 32 a 44 graus;
e) Os braços devem estar na vertical 1
f) Os antebraços devem estar horizontalizados e o teclado e o mouse devem
estar na altura dos cotovelos;
g) Deve ser possível apoiar os braços quando necessário. Este apoio deve ser
feito sobre os braços da cadeira (que deve ter altura regulável), como
também pode ser feito em espuma de borda anterior arredondada situada
adiante do teclado. Lembrando que durante a digitação, os punhos não
devem estar apoiados;
h) Deve haver possibilidade de movimentar o teclado um pouco para a frente e
um pouco para trás;
i) Deve-se sentar mantendo um ângulo tronco-coxas de aproximadamente
100 graus;
j) Os pés devem estar apoiados;
k) Usar o mouse sem abdução de ombros;
l) Levantar e movimentar-se durante 10 minutos a cada 2 horas. Alongar-se.
m) Em atividades típicas de digitação de dados, a pausa deve ser de 10
minutos para cada 50 trabalhados.
1 Para as ciências da saúde, “braço” corresponde apenas ao segmento corporal que vai do
ombro até o cotovelo. Do cotovelo ao punho (e não pulso) não é “braço”, é “antebraço”.
Figura 5 - Posições corretas para trabalho em terminais de computador.